A piada é antiga: se a letra é ilegível, deve ser de médico. Mas será que isso ainda faz sentido? Mesmo com prontuários eletrônicos cada vez mais comuns, muita gente ainda se depara com prescrições manuscritas que parecem mais hieróglifos do que palavras em língua portuguesa. Para entender de onde vem esse estereótipo, e se ele realmente procede, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com médicos que vivem a correria do dia a dia da profissão.+ Conheça o rapaz aprovado em 6 universidades públicas de medicinaPouco tempo e alta demandaA resposta passa por vários fatores: plantões que exigem decisões rápidas, necessidade de registrar grandes volumes de informações e, claro, um certo “treino” acumulado ao longo dos anos. Entre um atendimento e outro, a letra acaba ficando em segundo plano diante da urgência.Victória Dornelas, médica de Saúde da Família, explica que isso ocorre por conta da velocidade que os profissionais precisam ter no atendimento e ao fazer uma receita. Ela, por exemplo, precisa atender, diariamente, quatro pacientes por hora. "Tanto o volume quanto a rapidez com que você tem que preencher as coisas, faz com que você vá mudando até a forma de escrever.”+ 6 dicas para melhorar sua letra, por uma professora de caligrafiaAos poucos, a tecnologia está ajudando a deixar a comunicação mais clara e derrubando um dos estereótipos mais famosos da medicina. Afinal, muitas etapas já foram informatizadas em alguns locais e é possível realizar tarefas pelo computador e depois imprimir. "Mas se o sistema cair e eu precisar fazer tudo à mão… acaba que é um tempo muito curto para você fazer tudo: preencher formulário, assinar receita e tudo mais, além do preenchimento da própria consulta. Você pode até começar com uma coisa legível, mas, ao longo do dia, aquilo vai cansando.”É sempre assim?No entanto, os próprios profissionais reconhecem: legibilidade também é cuidado. Laura Lima, médica que faz plantão de porta em urgência e emergência, diz que quando faz prescrições à mão procura deixar o mais legível possível. Mas reforça que nem sempre isso é possível. “Colegas que possuem uma grafia quase inelegível e com excesso de abreviações, acredito que o façam justificados pela alta demanda e curto espaço de tempo para o atendimento”.Daniel Assis, médico residente de Infectologia, também reforça a questão de pressa, de agilidade e de tempo. “Isso é observado, por exemplo, na enorme quantidade, mesmo em prontuários eletrônicos, de abreviaturas e siglas”.Entre no canal do GUIA no WhatsApp e receba conteúdos de estudo, redação e atualidades no seu celular!