Os erros sobre a profissão de coach em O Outro Lado do Paraíso
Você sabe o que realmente faz um coach?
Por da redação
Atualizado em 8 fev 2018, 15h31 - Publicado em 7 fev 2018, 17h18
(Tempura/iStock)
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Como o nome já diz, obras de ficção não se preocupam em retratar as coisas como realmente são – e isso inclui as profissões dos personagens da história. É preciso ter isso em mente caso se interesse em seguir uma carreira que tenha conhecido dessa forma.
Mesmo que não acompanhe novelas, pode ser que você tenha visto algo sobre a recente polêmica envolvendo a novela das 21h da Globo, O Outro Lado do Paraíso. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Sociedade Latino Americana de Coaching (Slac) criticaram a forma como uma coach está sendo mostrada na trama, apontando informações equivocadas sobre as práticas e os objetivos desse tipo de profissional.
Com a ajuda da coach e professora Simone Ayoub, listamos alguns desses erros.
1. Coach não faz hipnose
Esse é o principal motivo de polêmicas. Em uma cena, a advogada e coach Adriana (Julia Dalavia) explica a Clara (Bianca Bin) o que faz esse profissional e afirma que usa hipnose para tratar alguns pacientes. Depois, Clara aconselha a amiga Laura (Bella Piero) a procurar os serviços de Adriana (inclusive os de hipnose) para ajudá-la a entender seus problemas com o marido.
Acontece que uma resolução do Conselho Federal de Psicologia restringe a psicólogos capacitados a prática da hipnose, e “desde que possa comprovar capacitação adequada”.
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Em carta enviada à Globo, a Sociedade Latino Americana de Coaching afirma que “coaching é um processo de planejamento estratégico do indivíduo para que ele possa sair de onde está no presente e chegar aos objetivos que quer alcançar no futuro, sem falar, em momento algum, de passado ou utilizar qualquer técnica como a hipnose. Em nenhum momento está ligado ao passado”.
Em nota divulgada nesta segunda (5), o Conselho Federal de Psicologia alerta ainda que “pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que têm a habilitação adequada.”
“O processo de coaching não é terapia (a menos que o coach seja também psicólogo). Não cabe a esse profissional se envolver em questões do passado, como traumas de infância”, explica Simone. Nesses casos, cabe a ele encaminhar o paciente para terapia com um profissional adequado.
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2. O coach não opina nas sessões
O papel do profissional é ajudar o coachee (cliente de coaching) por meio de perguntas e ferramentas adequadas. Não cabe a ele expor suas opiniões pessoais e sugerir soluções com frases do tipo “se eu fosse você” ou “eu acho que você deveria.”
3. O coach trabalha sempre com a realidade e não estabelece metas que não pode cumprir
“É preciso desconfiar de afirmações do tipo ‘contrate um coach e conquiste seus sonhos’. Parece algo bonito e poético, mas só na teoria”, diz Simone. Isso porque o processo de coaching deve envolver sempre a realidade, estabelecendo metas concretas. Papos muito abstratos não condizem com o papel desse profissional.
1/12 Muita gente torce o nariz para elas, mas é fato que as novelas são um importante aspecto cultural da vida dos brasileiros. Às vezes, elas adotam temas polêmicos que dividem o país e provocam discussões. Veja algumas delas nessa galeria. (Reprodução/Reprodução)
2/12Irmãos Coragem (1970). No ar durante os anos mais duros da ditadura militar, Irmãos Coragem conta a história do garimpeiro Jerônimo Coragem (Antônio Fagundes), que se envolve na política para lutar contra um latifundiário que, com o apoio da polícia, dita a lei da cidade onde moravam. Nas eleições legislativas daquele ano, o nome do personagem Jerônimo foi escrito milhares de vezes nas cédulas de votação. (Reprodução/Reprodução)
3/12O Espigão (1974). A construção de um hotel de 50 andares no Rio de Janeiro, que destruiria a Mata Atlântica e uma mansão foi o gancho que despertou um debate sobre o crescimento desordenado das cidades. A trama foi responsável por popularizar termos como ecologia e ecossistema, e, por isso, sofreu resistência por parte de anunciantes ligados à construção civil e à especulação imobiliária. (Reprodução/Reprodução)
4/12Escalada (1975). O caixeiro-viajante Antônio Dias (Tarcísio Meira) entra em crise matrimonial com sua mulher (Suzana Vieira). A trama provocou polêmica com o tema divórcio, dois anos antes da Lei do Divórcio ser aprovada. (Reprodução/Reprodução)
5/12Dancin Days (1978). Com muito brilho, música e dança, a novela mostrou a liberação sexual que atingiria seu auge na década de 1980. Na trama, a ex-presidiária Julia Matos (Sonia Braga), em liberdade condicional, procura se reaproximar da filha após 11 anos. A novela também foi responsável por popularizar os vôos de asa-delta no país inteiro. (Reprodução/Reprodução)
6/12Roque Santeiro (1985). Inspirada em uma peça teatral de esquerda de Dias Gomes, Roque Santeiro teve 30 capítulos censurados em 1975. 10 anos mais tarde, se tornou sucesso absoluto na televisão brasileira. A cidade de Asa Branca, cenário da trama, era uma paródia sobre o Brasil, mostrando como misticismo, religião e política acabam se misturando. (Reprodução/Reprodução)
7/12Vale Tudo (1988). A novela abordou a falta de ética e a desonestidade que muitas vezes parecem intricadas na cultura brasileira. No primeiro capítulo, Maria de Fátima (Glória Pires), vende a casa da mãe (Regina Duarte) e a deixa na miséria. Essa também foi a primeira vez que a homofobia da sociedade brasileira ficou escancarada em horário nobre. Diálogos e cenas do casal lésbico Cecília e Laís foram vetadas pela censura. Já outras, que previam demonstrar mais intimidade entre as personagens, sequer foram gravadas. Cecília morre antes do fim da trama. (Reprodução/Reprodução)
8/12Que Rei Sou Eu? (1989). A novela trata de especulações, manobras e golpes políticos no fictício reino de Avilan. A trama, que foi ao ar no ano da primeira eleição presidencial pós-ditadura, era uma paródia da situação política do Brasil. (Reprodução/Reprodução)
9/12O Dono do Mundo (1991). A novela começa com uma aposta entre Felipe Barreto (Antônio Fagundes) seu sercretário. Felipe acredita que conseguirá tirar a virgindade da noiva de um de seus funcionários (Malu Mader). Ele, de fato, consegue, mas o público reage mal com a falta de ética. A novela perde 13 pontos no Ibope e precisa se reformular para continuar. (Reprodução/Reprodução)
10/12O Rei do Gado (1996). A novela abordou a questão da concentração de terras, o MST e a falta de ação dos políticos brasileiros para resolver a questão. Luana (Patrícia Pillar), uma sem-terra, vive o conflito de estar apaixonada por um fazendeiro (Antônio Fagundes). (Reprodução/Reprodução)
11/12Mulheres Apaixonadas (2003). A trama abordou diversos problemas que atingem a classe média brasileira: alcoolismo, violência contra a mulher, ciúme, bullying, violência urbana, câncer de mama e discriminação contra idosos. Pela primeira vez, um casal de lésbicas não foi rejeitado pelo público. (Reprodução/Reprodução)
12/12Amor à Vida (2013). O casal Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Matheus Solano) protagonizaram o primeiro beijo gay a ir ao ar em uma novela da Globo. A cena causou expectativa entre os telespectadores e causou repercussão nas redes sociais. O casal ganhou a simpatia do público, mas foi rejeitado por setores mais conservadores da sociedade. (Reprodução/Reprodução)