Você sabia que, para pessoas presas, umas das maneiras de diminuir a pena é lendo livros? Isso mesmo, a prática faz parte do programa Remição pela Leitura, que reduz o tempo de detenção a cada livro lido. E uma outra curiosidade é que alguns dos títulos que compõem a coletânea do projeto, como "Canção para Ninar Menino Grande", de Conceição Evaristo, e "Ainda Estou Aqui", de Marcelo Rubens Paiva, também fazem parte das listas de leituras obrigatórias de vestibulares brasileiros.+ Saiba os principais nomes oficiais que o Brasil já teveConfira algumas obras que ajudam nos dois casos!Os 10 livros mais vendidos de todos os temposCanção para ninar menino grande, de Conceição EvaristoA obra, publicada em 2018 e de autoria de Conceição Evaristo, faz parte da lista cobrada pela Fuvest, vestibular da USP (Universidade de São Paulo).O romance trata das aventuras amorosas de Fio Jardim, um homem negro galanteador e belo, que se relaciona com várias mulheres (mesmo sendo casado). Quem conta as histórias é uma narradora-contadora que não se identifica no decorrer das páginas e conhece o homem por meio dos relatos das moças que tiveram laços de amor com ele — denominadas de "amigas confidentes". Juventina, Aurora, Antonieta, Pérola, Dolores, Dalva são alguns dos nomes cujas vivências com Fio Jardim são contadas. Suas descrições fogem dos estereótipos da figura feminina literária.No final do livro, o leitor descobre que a objetificação das mulheres pela personagem principal faz parte de um trauma de infância. O sonho do homem na escola era ser o príncipe que nunca pôde em uma peça escolar – papel desempenhado por um colega branco.+ “Canção para ninar menino grande”: resumo e análise da obra de Conceição EvaristoAinda estou aqui, de Marcelo Rubens PaivaO livro – que inspirou o filme premiado no Oscar – faz parte da lista de leituras obrigatórias da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Trata-se de uma obra autobiográfica recheada de memórias recuperando o desaparecimento do deputado Rubens Paiva durante os Anos de Chumbo da Ditadura Militar. Tudo é relatado sob a ótica de seu filho, Marcelo, que tinha 11 anos na época. As páginas acompanham o momento complexo da família Paiva, com centro na matriarca e esposa de Rubens, Eunice, vivida por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro nas telas.A angústia vinha da falta de explicações por parte do Exército brasileiro – ora falava que Rubens havia sido sequestrado por desconhecidos, ora afirmava que o homem havia fugido para viver com sua suposta segunda família. A própria Eunice chegou a ser levada para um DOI-Codi (Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), junto da filha Eliana, de 15 anos, para ser interrogada.+ “Ainda Estou Aqui”: resumo e análise da obra de Marcelo Rubens PaivaSenhora, de José de AlencarO título é considerado um dos grandes clássicos da literatura brasileira e foi escrito por José de Alencar, um dos precursores do romantismo. No projeto Remição pela Leitura, a obra entra na versão em quadrinhos. Mas, para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, é cobrada em prosa.Depois de perder o irmão e o pai, Aurélia Camargo, uma moça pobre, recebe a ordem de ficar na janela e buscar um casamento que a ampare durante a vida. Nesse cotidiano, a moça apaixona-se por Fernando Rodrigues Seixas, também de poucos recursos.O homem correspondia à jovem e até considerou pedir sua mão, mas a falta de benefícios no casamento o fez mudar de ideia. Assim, Fernando resolver se casar com Adelaide, cujo laço lhe renderia um dote considerável.Entretanto, em meio às reviravoltas do livro, Aurélia recebe uma herança do avô e torna-se uma figura respeitada na alta sociedade. Sob o anonimato, a moça pede a um tio que negocie o casamento arranjado com o seu antigo amor, com um dote de cem mil réis. Após a "compra", a protagonista passa a tratar o marido com frieza, em uma relação marcada por rancor e a luta contra o sentimento amoroso que realmente sentiam (e que só é provado ao final da história).+ Qual a história de ‘Senhora’, livro que virou telenovela em ‘Garota do Momento’Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de AssisUm dos clássicos de Machado de Assis faz parte da lista de leituras obrigatórias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A obra inicia-se com a morte do narrador e protagonista, Brás Cubas, vitimado por uma pneumonia e dono de uma dedicatória icônica para a literatura brasileira:"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas."Filho de uma família rica do século 19, a personagem expõe de forma irônica os privilégios da elite da época. Como um menino da aristocracia, o falecido relata suas vivências desde a infância, passando pela amizade com Quincas Borba e pelo tratamento cruel que dispensava aos escravizados.Na juventude, apaixona-se por Marcela, uma prostituta de luxo que o amou "durante quinze meses e onze contos de réis”. Após um tempo, Brás Cubas é enviado pelo pai para Coimbra, onde se forma em Direito. Mas quando se forma e volta ao Brasil, vive uma paixão com Virgilia, uma mulher casada.No final, a personagem acaba entrando para o ramo da política, no qual desempenha um trabalho nada satisfatório, mas com status.+ ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ de Machado de Assis: resumo e análiseQuarto de despejo: Diário de uma favelada, de Carolina Maria de JesusA obra, cobrada no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é um compilado de cinco anos do dia a dia de Carolina Maria de Jesus, uma mulher negra e catadora de recicláveis que vivia na comunidade do Canindé, na zona norte da cidade de São Paulo, com seus três filhos.A escrita se concentra nos desafios que atravessavam sua vida, como a fome e a violência. A escritora também mostra seus sonhos, esperanças e desejo por educação, que contrastam com a realidade que a cerca.A escrita é objetiva e tem traços de oralidade, com edição inicial foi feita pelo jornalista Audálio Dantas.+ Quarto de Despejo: resumo da obra de Carolina Maria de JesusComo funciona o programa Remição pela Leitura?O programa Remição pela Leitura é previsto desde 2011 pelo artigo 126 da Lei de Execução Penal e permitido a detentos que cumpram regime fechado (como é o caso de Jair Bolsonaro) ou semiaberto. A lista conta com mais de 300 títulos e, para ter acesso ao benefício, a pessoa precisa ler a obra e entregar um relatório em formato de resenha para avaliação, seguindo critérios de originalidade, compreensão do texto e argumentação.A leitura pode abater quatro dias de pena — caso o texto seja aprovado. O limite de dias "perdoados" é de 48 dias a cada 12 meses, o que equivale a 12 obras. Além da diminuição da pena, o programa busca promover a ressocialização e o acesso à cultura e educação por meio da literatura. Entre no canal do GUIA no WhatsApp e receba conteúdos de estudo, redação e atualidades no seu celular!