O presidente Luis Inácio Lula da Silva comentou, nesta terça-feira (21), sobre a possível revisão do Novo Ensino Médio. Em entrevista transmitida ao vivo pelo Brasil 247, Lula disse que a reforma "não vai ser do jeito que está" e que conversou com o ministro da Educação, Camilo Santana, sobre caminhos para adequação. Grupos de pesquisas, entidades educacionais e estudantis pedem a revogação do Novo Ensino Médio."Ele [Camilo Santana] vai conversar com outros sindicatos para que a gente possa estabelecer, tanto com os educadores quanto com alunos, uma nova discussão sobre o Ensino Médio [...] eu tenho certeza que vai fazer aquilo que for melhor para os estudantes", afirmou Lula.O presidente também comentou sobre o assunto nas redes sociais.https://twitter.com/LulaOficial/status/1638176779042189315No dia 9 de março, o MEC (Ministério da Educação) abriu uma consulta pública para discutir a implementação da reforma. Segundo portaria publicada, a consulta terá duração de 90 dias e estão previstas audiências públicas, oficinas de trabalho, seminários e pesquisas nacionais com a comunidade escolar de todo o país.Novo Ensino MédioO Novo Ensino Médio passou a ser oficialmente implementado no país no início de 2022. A ideia é que a implementação seja gradual, começando pelo primeiro ano do Ensino Médio até ser finalizada em 2024, abrangendo os três anos desta etapa de ensino.A reforma prevê mudanças no currículo escolar, que passa a ser dividido entre uma formação geral prevista na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e os itinerários formativos, que tomarão 40% da carga horária de todo o Ensino Médio. Caberá aos estudantes escolherem o itinerário no qual querem se aprofundar dentre cinco opções (Linguagens e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; Ensino Técnico).Críticos da reforma apontam, no entanto, que escolas mais vulneráveis tendem a oferecer menos opções de itinerários aos estudantes. Outra fragilidade da reforma é a oferta de novas disciplinas pouco estruturadas. "Brigadeiro caseiro" e "RPG" aparecem entre as matérias ofertadas na rede estadual de São Paulo, que já reúne ao menos 1526 disciplinas, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Professores queixam-se de não terem formação adequada para lecionar fora de suas áreas.