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Conciliando ensino médio, cursinho e técnico, aluno de escola pública passa em Medicina na USP

Matheus também foi aprovado em outra grande universidade, a Unicamp. Conheça a história do estudante

Por Taís Ilhéu
Atualizado em 22 jan 2025, 19h39 - Publicado em 22 jan 2025, 17h34
Matheus aprovado medicina
 (Oficina do Estudante/Reprodução)
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Embora tenha conseguido uma aprovação em Medicina na USP (Universidade de São Paulo) e na UnicampMatheus Gabriel, estudante de Campinas (SP), não recomenda a rotina de estudos que levou no ano passado para qualquer pessoa. Em um único ano, concluiu o ensino médio integrado ao curso técnico de eletroeletrônica, tirou a carteira de motorista, frequentou um cursinho pré-vestibular. Também fez uma viagem com a escola para estudar a Usina Hidrelétrica de Itaipu, e concluiu o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do técnico às pressas. Estudava no trajeto de ônibus entre um lugar e outro, e atravessou a madrugada com os livros quando as coisas apertavam. Estima ter resolvido pelo menos 7 mil questões de vestibulares como a Fuvest, Unicamp e Enem.

Todo esforço valeu a pena quando soube que foi aprovado na melhor universidade do país. “Eu não estava contando que ia passar na USP, fiquei completamente louco”, contou em entrevista ao GUIA DO ESTUDANTE sobre quando viu o resultado. Comemorou de um jeito bem inusitado: “eu saí correndo para comprar uma coxinha na venda. Paguei R$ 13 na coxinha, viu?”, relembra.

Para Matheus, além de todo o esforço, também entrou na conta uma ajudinha divina. Ele relata que, em meio a tantos compromissos, faltou ler um livro da lista de obras obrigatórias da Fuvest que poderia cair na 2ª fase, o Romanceiro da Inconfidência. Um dia, no ponto de ônibus da escola, ganhou o livro de presente de um outro colega, e naquela noite abriu ao acaso e leu um único poema. Foi justamente este o texto cobrado na prova. “Parece que quando a gente tá fazendo as coisas certas, mesmo que não dê conta de tudo, as coisas vão se encaminhando”.

Conheça a história de Matheus.

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Rotina apertada

Mesmo fazendo o curso técnico e ensino médio no período da noite, todos os dias Matheus pulava da cama entre às 6h e 7h da manhã. Estudava em casa até o meio dia, parava para almoçar, e depois começava o que ele chama de “circuito dos ônibus”.

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“Pegava o primeiro ônibus para ir para o centro, de lá pegava outro para chegar no cursinho”, relembra o estudante, que ficava das 14h às 18h no Oficina do Estudante, em Campinas. Depois disso, caminhava por cerca de 2 km para chegar ao Cotuca, Colégio Técnico de Campinas, instituição pública onde fazia o ensino médio junto com o técnico. Lá, ficava das 19h às 23h, e depois ia para casa. Matheus repetia esse trajeto todos os dias.

Em algumas noites, precisava dar uma acelerada para não acumular muitos conteúdos e acabar deixando o técnico ou o vestibular para trás. Com isso, ia até as 2h ou 3h da manhã estudando.

Mas o estudante de 19 anos não romantiza a rotina que levou, e sequer aconselha outros a fazerem o mesmo. Ele diz que só precisou se organizar dessa forma porque era o tempo que tinha disponível, já que não poderia abandonar o curso técnico a essa altura e sua meta era passar em Medicina este ano. “Não recomendo para qualquer pessoa, realmente cansa muito”.

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O segredo da aprovação

Se pudesse resumir sua técnica de estudos em um único tópico, Matheus certamente diria que é a resolução de questões. Era isso que ele fazia em casa, no cursinho, e nos trajetos entre um lugar e outro. Fez quase todas as provas da Unicamp, Fuvest, Unesp e EsPCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército) desde 2014, e as provas do Enem dos últimos 12 anos – incluindo as versões PPL. Por cima, estima que foram pelo menos 7 mil questões resolvidas.

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“É meio chato falar isso, mas o vestibular não está medindo seu conhecimento. Ele está medindo sua capacidade de resolver aquelas questões”, avalia. Ele se recorda que, muitas vezes, deparou-se no cursinho com outros colegas que dispendiam um grande tempo fazendo resumos coloridos e caprichados – e até admite o valor dessa técnica para memorizar algumas informações. Mas, para o aprovado, o essencial é focar nas resoluções.

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Como costumava estudar pelo computador, Matheus tinha uma pasta onde guardava prints das questões que havia errado ou que não tinha conseguido resolver. Depois de uma semana, sempre voltava lá para “ruminar” os erros. “E também para não esquecer, porque isso acontece muito. É bom você fazer essas essas revisões”, conclui.

Agora ou nunca

No Brasil, passar em Medicina não é uma missão fácil. O curso lidera a lista dos mais concorridos em universidades públicas e privadas, costuma ter as maiores notas de corte, e muitos dos candidatos passam anos se preparando até serem aprovados. Para Matheus, no entanto, essa não era uma possibilidade.

“Eu deixei até de trabalhar para estudar para o vestibular, eu estava empregado no CPFL [distribuidora de energia em Campinas], e larguei lá para estudar. Tinha que ser esse ano”, explica o jovem. Ele pontua também o quão caro é pagar um cursinho e outros gastos associados ao vestibular, e que não poderia dar essa despesa para a família. Caso não passasse este ano, voltaria a trabalhar e seguiria fazendo o Enem até ser aprovado.

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Apesar da confiança, engana-se quem pensa que Matheus passou ileso à pressão que aflige os vestibulandos de Medicina. “Não tenho sangue de barata, não posso dizer que nunca pensei em desistir. Tinha semana que eu estava de saco cheio, dizia que não ia estudar mais nada, mas depois voltava”, recorda.

“Não foi uma história muito padrão, das que a gente escuta, mas eu sou uma pessoa normal, não sou super inteligente, não sou super nada. Agradeço muito às pessoas que me ajudaram e também às cotas, raciais e de escola pública, que fizeram muita diferença”.

* Erramos: a primeira versão do texto dizia que Matheus havia sido aprovado na USP por meio do Provão Paulista e da Fuvest. Na verdade, ele foi aprovado na universidade apenas pela Fuvest. No Provão Paulista, o estudante conseguiu uma vaga na Unicamp.

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