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Segunda fase da Fuvest tem pergunta sobre narradores de futebol, Inteligência Artificial e necropolítica

Vestibular da USP manteve a tradição de alinhar debates contemporâneos ao conhecimento das disciplinas do Ensino Médio

Por Luccas Diaz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 16 dez 2024, 10h37 - Publicado em 15 dez 2024, 18h56
Montagem com tirinha e fotografia cobradas no primeiro dia da segunda fase da Fuvest 2025
 (Nanquim/Acervo IMS/Fuvest/Reprodução)
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O primeiro dia da segunda fase da Fuvest 2025, realizado neste domingo (15), manteve a tradição da prova de explorar questões que dialogam com os principais debates contemporâneos. O exame de hoje, com uma redação e 10 questões discursivas de Língua Portuguesa e Literatura, trouxe perguntas que destacaram a interdisciplinaridade e exigiram dos candidatos uma combinação de conhecimentos específicos com atualidades. Na prova de hoje, candidatos e professores destacam as questões envolvendo Inteligência Artificial, Machado de Assis, necropolítica e narradores de futebol.

“Na seleção dos textos, a prova valorizou questões contemporâneas relevantes: quando o tema não eram explicitamente essas questões, era a própria Língua Portuguesa, especificamente a variedade brasileira”, opina Henrique Braga, professor de português do Curso Anglo. “Houve temas recorrentes, como polissemia, orações adversativas e concessivas e formação de palavras, com destaque à compreensão de como se construíram expressões figuradas.”

Na redação, a proposta trouxe o tema “As relações sociais por meio da solidariedade”, junto com textos de apoio que abordavam questões como desigualdade social, luta por justiça e cooperação entre diferentes grupos sociais. Textos de autores como Machado de Assis e Ruth Guimarães dialogavam com o desafio de construir uma visão crítica sobre o papel da solidariedade em tempos de crises sociais e ambientais.

+ Tema da redação da Fuvest 2025 aborda relações sociais por meio da solidariedade

Machado de Assis e a questão racial

Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 1888
(Antonio Luiz Ferreira/Acervo IMS/Fuvest/Reprodução)

A presença de Machado de Assis na missa campal pela abolição da escravatura, realizada em 1888, em São Cristóvão (RJ), foi tema de uma questão que cruzou Literatura e História. A prova comparou uma fotografia do evento a um trecho de “Quincas Borba”, pedindo aos candidatos que refletissem se o personagem Rubião, do romance, seria um apoiador do movimento abolicionista.

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+ Bráix Cubax: como era o sotaque carioca na época de Machado de Assis?

Inteligência Artificial

Tirinha cobrada na prova da Fuvest 2025
(Nanquim/Fuvest/Reprodução)

Assim como na segunda fase da Unicamp, a inteligência artificial também foi tema de uma questão na segunda fase da Fuvest. Por meio de uma tirinha que abordava o impacto dessa tecnologia na sociedade, os candidatos tinham que explicar esse efeito da ferramenta que a imagem sugeria. Além disso, no segundo item, deveriam reescrever uma fala de um dos personagens, transformando-a em uma construção com estrutura concessiva.

+ O que define as profissões que serão ou não substituídas pela Inteligência Artificial?

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Necropolítica

Outra questão de destaque se concentrou na relação entre a necropolítica, a desinformação e o negacionismo. Os candidatos tinham que explicar, a partir de um trecho de uma entrevista de Ailton Krenak, por que “a ideia de combater é uma ideia engajada na necropolítica”. Deveriam também interpretar a expressão “jogar pérolas para os porcos”, usada por Krenak no texto, explicando o que as palavras “pérolas” e “porcos” representavam no contexto da fala sobre desinformação e resistência.

+ O que é necropolítica e como o conceito pode aparecer no vestibular

Língua viva

A língua como reflexo das transformações sociais e culturais também foi um tema presente na prova. O enunciado de uma questão trazia um trecho do livro “O português são dois: novas fronteiras, velhos problemas”, de Rosa Virgínia Mattos e Silva. Nele, a autora contrastava dois posicionamentos: de um lado, aqueles que consideram o estado da Língua Portuguesa no Brasil como “mal” e buscam restaurar um modelo linguístico idealizado, descolado da realidade histórica e sociocultural do país. E, de outro, aqueles que defendem uma visão mais pragmática da língua, que reflita as transformações naturais e históricas da sociedade brasileira.

Já em outra questão, esse lado “vivo” da língua foi destacado, abordando a criatividade dos narradores de futebol durante as transmissões ao vivo. O texto citava o uso de expressões como “a bola beija a trave” e “a bola vai morrer na bochecha da rede”. O autor, Ruy Castro, mostra como esses neologismos e expressões criam uma linguagem própria para os jogos.

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Ainda na mesma questão, foi abordado o fenômeno da sufixação nas palavras “volância” e “centroavância”. As duas surgem a partir de uma adaptação com o sufixo “-ância”, para funções específicas do jogo de futebol. “Para quem não é familiarizado com o universo do futebol, pode haver uma dificuldade a mais na resolução”, ressalta o professor Henrique Braga.

Obras obrigatórias

Neste primeiro dia foram cobrados os seguintes livros da lista:

  • “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles;
  • “Água funda”, de Ruth Guimarães;
  • “Quincas Borba”, de Machado de Assis;
  • “Os ratos”, de Dyonélio Machado;
  • “Nós matamos o cão tinhoso!”, de Luís Bernardo Honwana.

Entre os destaques, uma questão que apresentou o poema “Romance XXI ou Das ideias”, presente em “Romanceiro da Inconfidência“. O enunciado abordava o contraste entre o cenário descrito no trecho e o conceito do Arcadismo de locus amoenus. Além de conhecer minimamente o termo, o candidato precisava, no segundo item, interpretar o poema a partir da ótica das transformações históricas.

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Em uma abordagem semelhante, outra questão envolvia, a partir de trechos de“Água Funda”, a transformação de um engenho em uma usina, que, no romance, é um indicativo do passar do tempo e do reflexo das mudanças históricas e sociais. O enunciado pedia para explorar o paralelismo entre essa transição e a decadência da personagem Sinhá.

Outro ponto de destaque foi a questão que pedia para o candidato identificar dois aspectos da estética expressionista na obra “Os ratos“. Em outra questão, pedia que, a partir de “Nós matamos o cão tinhoso!“, analisasse a perspectiva adotada sobre a luta dos moçambicanos contra o domínio colonial português.

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